Se você se corta”
Millôr
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A vida é bela…
Enquanto eu seguro seus cordões.
Eu seria um joão-ninguém…
Se em qualquer momento os soltasse… (1)
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“Hiroxima não deixa obliterar o poder destrutivo do homem”.
No sentido primitivo esta forma verbal significava apagar as letras [ob+litterare]. “OB” é um prefixo culto de origem latina, que, geralmente, traduz as idéias de oposição, inversão.
Airton SoaresA forma verbal procrastinar, quase sempre é confundida com a forma verbal postergar. Ambas denotam preterição, mas não são formas sinônimas.Vamos à etimologia:
Procrastinar: PRO [latim] = A favor.
Ex. Precisamos analisar os prós e os contras, não é assim que se diz?E CRAS [latim]= o dia seguinte..
Por isso, o procrastinador está sempre deixando as tarefas para o dia seguinte. E postergar? É aquele sujeito que sempre deixa as tarefas para depois. Depois eu faço isso, depois eu faço aquilo. Ou seja, tudo será resolvido na posteridade.
No frigir dos ovos, podemos dizer que procrastinar e postergar são gêmeos quase univitelinos. Mas se tivermos de escolher o melhor comportamento, o procrastinador seria o eleito, pois como foi dito, ele sempre deixa as tarefas para realizar no dia seguinte, enquanto que o seu “irmão” é um eterno indefinido.
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USO: Oratória, administração do tempo, psicologia
Bragas
Antigamente se dizia daqueles `calçãozões´ compridos… bastante compridos. É só lembrar dos jogadores das seleções de futebol nos idos de 1938. Ai o tempo foi passando… passando e esses calções ficaram cada vez mais curtos. Então, de braga passou-se a chamar braguilha. E hoje? Apenas uma abertura da parte dianteira de quaisquer calças, calções, e coisa parecida.
Mulher despudorada
Agora voltemos nossa atenção à `mulher´ que nos instigou a escrever este texto: Trata-se de uma mulher despudorada que se despiu -ela tirou as bragas- moralmente perante a sociedade, manifestando linguagem descomedida e desenfreada.
E o que dizer de esculhambar?
Segundo o dicionário `Houaiss´ o vocábulo significou primitivamente `ficar com os testículos [colhões, que deu cunhão!] feridos de tanto andar a cavalo. Há também quem afirme que esculhambar “está relacionado a cu, mas o processo de formação é obscuro.”
Preço de compra
Num inventei nada não! Vendi o peixe pelo preço de `compra´. Paro por aqui. Chega de `esculhambação´.
Demonstremos, pois:
Eu = `bem, bom´ e o verbo `trepó´= rodar, dar voltas. Daí eutrápelos significar ágil, versátil, leve de espírito, que pilheria agradavelmente.
Uma criança
Que faz estripulia é um incessante barulho coberto de poeira. Não tem por onde. Caso contrário estaria doente. Fazer estripulia é necessário para o desenvolvimento físico e intelectual da criança.
A propósito
Recentemente encontrei na internet uma empresa que em seu nome de fantasia se utiliza dessa palavra. “É por isso que a ESTRIPULIA BRINQUEDOS leva muito a sério a comercialização de brinquedos educativos, para que as melhores opções pedagógicas estejam à disposição dos educadores e pais.”
Eureca!
E… Comecei a escarafunchar nos dicionários qual a razão de se dizer cubar… Ora, cubar vem de cubo e na geometria é um poliedro com seis faces quadradas. Daí quando se está cubando o movimento se observa o que está em cima, embaixo, do lado direito, do lado esquerdo, de tudo que é canto. Não deixa passar nada! É uma observação de fazer inveja aos “grampos” utilizados pela Polícia Federal, de tão profunda que é!
Neologismo
Marcus Gadelha, no Dicionário de Cearês diz que cubar é observar um lugar com a intenção de roubar. Nesse mesmo sentido, o professor Tomé Cabral no seu Dicionário de Termos e Expressões Populares, averba: cubar é medir o adversário, calculando a possibilidade de êxito, em caso de agressão. Diz ainda o renomado professor que cubar é um neologismo proveniente do Sul, já bastante difundido no Nordeste, no meio dos malandros e desordeiros.
O meu contexto
Não precisa muito esforço para o leitor perceber que o contexto da minha vivência com relação a cubar está literalmente inserido no contexto curiosidade.
E pra terminar…
Costumo dizer em meus cursos e palestras: CURIOSnãotemIDADE e
“Um remédio para o tédio é a curiosidade e não existe remédio para a curiosidade.” Assim, curiando, aprendi a esquartejar as palavras; penetrar em suas vísceras para extrair o néctar semântico e `genomar´ seus infindos significados que dormem, como diz o poeta Valdemir Mourão, como criancinhas risonhas a contemplarem os anjos sem notarem o perigo que se aproxima.
Belicismo é a doutrina que defende a guerra ou o armamentismo. Pessoa de espírito guerreiro, belicoso. Assim, “Bellum” em latim deu arma, guerra na língua portuguesa.
“AS”, se bélico diz respeito à guerra, armamento, como explicar esta notícia que li no jornal na qual aparece a palavra debelar? “A Infraero informa que o princípio de incêndio no Terminal II do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, já está debelado, depois da atuação de unidades do Corpo de Bombeiros…”
Dúvida pertinente. Acontece o seguinte: no sentido denotativo, de +belar ( não à guerra; cessar a guerra) é vencer em luta armada: derrotar. No contexto acima, debelar aparece metaforicamente, ou seja, no sentido conotativo significando a extinção de algo considerado maléfico, no caso o incêndio.
No duro, no duro não deixou de ser uma guerra, pois os bombeiros se “armaram” para combater o “inimigo” fogo. Chega de guerra! “Desarmemos” mentalmente essa jovem – se é que você já não o fez – pois como diz mestre Drummond: é função tácita da roupa preparar o instante de nudez.
Dici Onário
ASSALTOS
carnavalescos
Por Airton Soares
| Q |
uando nos deparamos com a palavra assalto, sendo ela escrita ou falada, suscitamos em nossa mente uma idéia imediata de medo… pavor! Foi isso o que me aconteceu ao ler, hoje, de relance, na seção do jornal O Povo (Fortaleza) “O Povo há 40 anos”: `1968 – Foi tão animado o primeiro assalto carnavalesco de Fortaleza, no Centro da cidade, onde a população confundia-se com os passistas no asfalto, ao som de contagiante (…)
“ Se hoje a palavra assalto causa sobrosso, há quarenta anos tinha outra conotação: tratava-se de uma brasileirismo familiar significando festa íntima e de improviso. Para melhor entendimento transcrevo abaixo texto, também do jornal O Povo, que explicita a expressão da época “assaltos carnavalescos”
“- O chamado Carnaval veneziano também é marcado em Fortaleza pelos “assaltos carnavalescos”. Do fim da primeira década do século XX aos anos 1930, os assaltos disputarão com os bailes a primazias nas crônicas carnavalescas.
- Os assaltos eram anunciados às residências. O grupo de foliões mascarados invadia as salas, destinadas às danças e ornamentadas com faixas, rosas e leques de papel crepom.
- Os assaltos mantêm-se até a década de 1930, mas passam a se concentrar nos clubes, e não nas residências.”