Li por Aí – Língua e Literatura®

Fevereiro 5, 2008

Obliterar 09

Arquivado em: etimologia, obliterar — japs52 @ 5:02 pm

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Airton Soares
“Quando o corpo se abate ao peso dos anos, e as molas da máquina estão usadas, oblitera-se a inteligência, obscurece-se o espírito, delira a língua”. Lucrécio, citado por Montaigne em Os Pensadores, no ensaio DA IDADE, p.154.

“Hiroxima não deixa obliterar o poder destrutivo do homem”.

No sentido primitivo esta forma verbal significava apagar as letras [ob+litterare]. “OB” é um prefixo culto de origem latina, que, geralmente, traduz as idéias de oposição, inversão.

Nós e os espelhos 08

Arquivado em: etimologia, inteligência emocional, revoltar — japs52 @ 4:56 pm

“O Espelho não se importa
Se você se corta”
Millôr
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Airton Soares
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Millôr, na citação acima, foi bem no “12″, como se diz no popular. Portanto, assuma sua dor. Sutis manipulações não amadurecem ninguém. “Amadoecem“.
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Procure ser o mais autêntico possível em suas relações profissionais e afetivas. Seja bom de caráter, mesmo que lhe custe os olhos da cara.
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E cuidado para não confundir revolta com ressentimento. Este é pura lamúria que não leva a lugar nenhum, aquela é salutar pois re+ voltar-se em sua etimologia quer dizer dar uma outra volta em torno do “objeto” para melhor compreendê-lo e solucionar o problema. Quando o sujeito se re+volta sua cosmovisão aumenta, pois tudo na vida é uma questão de ponto de vista e circunstância. Seja um revolucionário feliz.
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É menos doloroso as intermináveis lamúrias diante os espelhos da vida, mas essa atitude não gera crescimento. E nenhum “espelho”, entendamos aqui como o alter ego… amigo… etc, pode resolver o seu problema. Com isso, não estou sugerindo que você “quebre os espelhos”, pois agindo assim estaria se justificando. Afinal, eles têm lá sua serventia. A gente pensa que eles nos escutam. De certa forma isso é bom. O ruim é que não queremos enxergar nossas fragilidades e sapecamos nossos queixumes em cima deles.
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Você, só você é o responsável. A resposta hábil vem da auto-consciência de suas competências adormecidas e não dos outros.
A propósito, existe um canção popular que diz:
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A vida é bela…
Enquanto eu seguro seus cordões.
Eu seria um joão-ninguém…
Se em qualquer momento os soltasse… (1)
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Muitas pessoas preferem seguir normas a assumir o comando da própria vida. Assumir responsabilidade pessoal é “osso duro de roer”, mas o leitor conhece um outro osso mais roível?´ Se conhece, me avise!
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(1) Wayne W. Dyer, Não se Deixe Manipular Pelos Outros, 1985
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notas:
USO: Inteligência emocional, comunicação, oratória.
Ver: Angústia, frustração e compensação em Paulo Gaudencio.

ProCRAStinar e postergar 07

Arquivado em: etimologia, procrastinar, protelar, tempo — japs52 @ 4:45 pm

Airton SoaresA forma verbal procrastinar, quase sempre é confundida com a forma verbal postergar. Ambas denotam preterição, mas não são formas sinônimas.Vamos à etimologia:
Procrastinar: PRO [latim] = A favor.
Ex. Precisamos analisar os prós e os contras, não é assim que se diz?E CRAS [latim]= o dia seguinte.
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Por isso, o procrastinador está sempre deixando as tarefas para o dia seguinte. E postergar? É aquele sujeito que sempre deixa as tarefas para depois. Depois eu faço isso, depois eu faço aquilo. Ou seja, tudo será resolvido na posteridade.

No frigir dos ovos, podemos dizer que procrastinar e postergar são gêmeos quase univitelinos. Mas se tivermos de escolher o melhor comportamento, o procrastinador seria o eleito, pois como foi dito, ele sempre deixa as tarefas para realizar no dia seguinte, enquanto que o seu “irmão” é um eterno indefinido.

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USO: Oratória, administração do tempo, psicologia

SAUDADE: Ô dorzinha gostosa! 06

Arquivado em: angústia, etimologia, saudade — japs52 @ 4:39 pm

Airton Soares

Uma pequena tristeza é um pequeno desapontamento. Nada grave. Passa logo. Já a angústia, é uma sensação de frustração que se estabelece no coração da alma. Chegou. Fincou. É dona do `pedaço´.
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Não existe polaridade. Angústia é angústia. Nem é pequena nem grande. Ela é. E pronto!
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A etimologia ajuda-nos a entender melhor. `Angusta´, no latim significa estreito. Por isso que sentimos aquela dorzinha gostosa apertando o peito da gente. Neste exato momento, minha saudade transita entre esses dois extremos, ou seja, entre o passa logo e a dona do `pedaço´.

Desbragar e esculhambar 05

Arquivado em: desbragar, etimologia, provérbio — japs52 @ 4:33 pm

Airton Soares

A MULHER ABRIU O `BOCÃO´ E DESBRAGADAMENTE ESCULHAMBOU O MARIDO.

Desbragar
O prefixo “des” denota negação. E braga? Indo até Portugal entenderemos melhor esse substantivo. Assim diz o provérbio luso: “Não se pescam trutas com bragas enxutas.”

Bragas
Antigamente se dizia daqueles `calçãozões´ compridos… bastante compridos. É só lembrar dos jogadores das seleções de futebol nos idos de 1938. Ai o tempo foi passando… passando e esses calções ficaram cada vez mais curtos. Então, de braga passou-se a chamar braguilha. E hoje? Apenas uma abertura da parte dianteira de quaisquer calças, calções, e coisa parecida.

Mulher despudorada
Agora voltemos nossa atenção à `mulher´ que nos instigou a escrever este texto: Trata-se de uma mulher despudorada que se despiu -ela tirou as bragas- moralmente perante a sociedade, manifestando linguagem descomedida e desenfreada.

E o que dizer de esculhambar?
Segundo o dicionário `Houaiss´ o vocábulo significou primitivamente `ficar com os testículos [colhões, que deu cunhão!] feridos de tanto andar a cavalo. Há também quem afirme que esculhambar “está relacionado a cu, mas o processo de formação é obscuro.”

Preço de compra
Num inventei nada não! Vendi o peixe pelo preço de `compra´. Paro por aqui. Chega de `esculhambação´.

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USO: Curso de oratória <> fundamentos da arte de bem comunicar.

Não vá fazer estripulia 04

Arquivado em: estripulia, etimologia, eutrapelia — japs52 @ 4:20 pm
 
Airton Soares
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Curtindo o Orós
Mês passado ministrei palestra na cidade de Orós e não poderia deixar passar em branco essa oportunidade! Foi aí que retroagi no tempo.
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Olhe…! Olhe…!
Ipu-Ce. 1961… 62…. Por aí assim.
- “Mãe, deixa eu tomar banho no açude.”
- “Menino, tu só vai tomar banho no açude se tu não fizer por onde. Olhe! Olhe! Não vá fazer estripulia… Não faça por onde apanhar.” Quem passou a infância no interior do Nordeste ou quem tem raízes por lá, com certeza vivenciou essa expressão.
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Fazer estripulia
Para nossos pais preconceituosos, fazer estripulia era fazer danação, coisa do ´demo´, mas pra nós, não passava de brincadeiras inocentes, mesmo àquelas consideradas por eles – pais – pecado mortal: brincar de casinha e de médico.
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A etimologia
A criança está coberta de razão. Não é à toa que a etimologia da palavra `brinca´ ao seu lado. Estripulia vem do grego e quer dizer jocosidade inofensiva.

Demonstremos, pois:
Eu = `bem, bom´ e o verbo `trepó´= rodar, dar voltas. Daí eutrápelos significar ágil, versátil, leve de espírito, que pilheria agradavelmente.

Uma criança
Que faz estripulia é um incessante barulho coberto de poeira. Não tem por onde. Caso contrário estaria doente. Fazer estripulia é necessário para o desenvolvimento físico e intelectual da criança.

A propósito
Recentemente encontrei na internet uma empresa que em seu nome de fantasia se utiliza dessa palavra. “É por isso que a ESTRIPULIA BRINQUEDOS leva muito a sério a comercialização de brinquedos educativos, para que as melhores opções pedagógicas estejam à disposição dos educadores e pais.”

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Uso: Curso de oratória > Fundamentos da arte de bem comunicar, etimologia

Cubando o movimento 03

Arquivado em: curiosidade, observação, oratória — japs52 @ 4:14 pm
Uso: oratória, fundamentos da arte de bem comunicar, curiosidade, observação

Airton Soares

O padroeiro da minha terra natal É São Sebastião, comemorado a 20 de janeiro. Todos os anos, nós ipuenses, comemoramos e festejamos este evento religioso, naturalmente regado à missa, novena, festas e outros atrativos do gênero.No sereno da festa
No ano em que meu pai, por alguma razão, não podia se fazer presente à grande festa no Clube Recreativo Grêmio, dizia assim: “Este ano só vou ficar no sereno da festa cubando o movimento.”Tinha lá meus nove anos
O tempo foi passando e cubando o movimento não saiu de minha mente. Na época, ainda pequeno, ouvira muitas vezes esta expressão e era da minha inteira compreensão, muito embora não soubesse explicar. Tinha lá meus nove anos.Acontece que
Na faculdade me apaixonei pela etimologia e passei a me questionar: Por que cubar é observar em seus mínimos detalhes?

Eureca!
E… Comecei a escarafunchar nos dicionários qual a razão de se dizer cubar… Ora, cubar vem de cubo e na geometria é um poliedro com seis faces quadradas. Daí quando se está cubando o movimento se observa o que está em cima, embaixo, do lado direito, do lado esquerdo, de tudo que é canto. Não deixa passar nada! É uma observação de fazer inveja aos “grampos” utilizados pela Polícia Federal, de tão profunda que é!

Neologismo
Marcus Gadelha, no Dicionário de Cearês diz que cubar é observar um lugar com a intenção de roubar. Nesse mesmo sentido, o professor Tomé Cabral no seu Dicionário de Termos e Expressões Populares, averba: cubar é medir o adversário, calculando a possibilidade de êxito, em caso de agressão. Diz ainda o renomado professor que cubar é um neologismo proveniente do Sul, já bastante difundido no Nordeste, no meio dos malandros e desordeiros.

O meu contexto
Não precisa muito esforço para o leitor perceber que o contexto da minha vivência com relação a cubar está literalmente inserido no contexto curiosidade.

E pra terminar…
Costumo dizer em meus cursos e palestras: CURIOSnãotemIDADE e
“Um remédio para o tédio é a curiosidade e não existe remédio para a curiosidade.” Assim, curiando, aprendi a esquartejar as palavras; penetrar em suas vísceras para extrair o néctar semântico e `genomar´ seus infindos significados que dormem, como diz o poeta Valdemir Mourão, como criancinhas risonhas a contemplarem os anjos sem notarem o perigo que se aproxima.

Fogo na roupa 02

Arquivado em: estrutura do discurso, etimologia, oratória — japs52 @ 4:00 pm

 Uso: curso oratória, estrutura do discurso, etimologia

Airton Soares

Não pense o leitor, que vou falar sobre o sensualismo da jovem que aparece na foto com essa arma no cós de sua calcinha.
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Aliás, nem precisa dizer nada. A imagem por si só já acorda em nosso juízo tudo que há de paradisíaco e profano.
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Podemos até dizer com muita segurança que essa menina do jeito que está armada é “fogo na roupa” Pois bem, se não pretendo falar sobre as minudências dos deleites carnais, então qual será a proposta da crônica?
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Mais desafio do que proposta, será discorrer sobre a etimologia da palavra belicismo – título do post do fotoblog Escrúpulos Precários de onde trouxe para cá essa “belicosidade”- sem me deixar influenciar tanto pelo texto imagístico-sedutor. Mas, como dizia o escritor Henry James: “Nem tudo que se enfrenta, pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que se enfrente.” Vamos lá!

Belicismo é a doutrina que defende a guerra ou o armamentismo. Pessoa de espírito guerreiro, belicoso. Assim, “Bellum” em latim deu arma, guerra na língua portuguesa.

“AS”, se bélico diz respeito à guerra, armamento, como explicar esta notícia que li no jornal na qual aparece a palavra debelar? “A Infraero informa que o princípio de incêndio no Terminal II do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, já está debelado, depois da atuação de unidades do Corpo de Bombeiros…”

Dúvida pertinente. Acontece o seguinte: no sentido denotativo, de +belar ( não à guerra; cessar a guerra) é vencer em luta armada: derrotar. No contexto acima, debelar aparece metaforicamente, ou seja, no sentido conotativo significando a extinção de algo considerado maléfico, no caso o incêndio.

No duro, no duro não deixou de ser uma guerra, pois os bombeiros se “armaram” para combater o “inimigo” fogo. Chega de guerra! “Desarmemos” mentalmente essa jovem – se é que você já não o fez – pois como diz mestre Drummond: é função tácita da roupa preparar o instante de nudez.

A palavra e suas fantasias 01

Arquivado em: carnaval, etimologia — japs52 @ 1:35 am

Dici Onário


ASSALTOS

carnavalescos

  

Por Airton Soares  

Q

uando nos deparamos com a palavra assalto, sendo ela escrita ou falada, suscitamos em nossa mente uma idéia imediata de medo… pavor! Foi isso o que me aconteceu ao ler, hoje, de relance, na seção do jornal O Povo (Fortaleza) “O Povo há 40 anos”: `1968 – Foi tão animado o primeiro assalto carnavalesco de Fortaleza, no Centro da cidade, onde a população confundia-se com os passistas no asfalto, ao som de contagiante (…)

 “ Se hoje a palavra assalto causa sobrosso, há quarenta anos tinha outra conotação: tratava-se de uma brasileirismo familiar significando festa íntima e de improviso. Para melhor entendimento transcrevo abaixo texto, também do jornal O Povo, que explicita a expressão da época “assaltos carnavalescos” 

“- O chamado Carnaval veneziano também é marcado em Fortaleza pelos “assaltos carnavalescos”. Do fim da primeira década do século XX aos anos 1930, os assaltos disputarão com os bailes a primazias nas crônicas carnavalescas.

- Os assaltos eram anunciados às residências. O grupo de foliões mascarados invadia as salas, destinadas às danças e ornamentadas com faixas, rosas e leques de papel crepom.

- Os assaltos mantêm-se até a década de 1930, mas passam a se concentrar nos clubes, e não nas residências.”

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