Li por Aí – Língua e Literatura®

Fevereiro 5, 2008

Cubando o movimento 03

Arquivado em: curiosidade, observação, oratória — japs52 @ 4:14 pm
Uso: oratória, fundamentos da arte de bem comunicar, curiosidade, observação

Airton Soares

O padroeiro da minha terra natal É São Sebastião, comemorado a 20 de janeiro. Todos os anos, nós ipuenses, comemoramos e festejamos este evento religioso, naturalmente regado à missa, novena, festas e outros atrativos do gênero.No sereno da festa
No ano em que meu pai, por alguma razão, não podia se fazer presente à grande festa no Clube Recreativo Grêmio, dizia assim: “Este ano só vou ficar no sereno da festa cubando o movimento.”Tinha lá meus nove anos
O tempo foi passando e cubando o movimento não saiu de minha mente. Na época, ainda pequeno, ouvira muitas vezes esta expressão e era da minha inteira compreensão, muito embora não soubesse explicar. Tinha lá meus nove anos.Acontece que
Na faculdade me apaixonei pela etimologia e passei a me questionar: Por que cubar é observar em seus mínimos detalhes?

Eureca!
E… Comecei a escarafunchar nos dicionários qual a razão de se dizer cubar… Ora, cubar vem de cubo e na geometria é um poliedro com seis faces quadradas. Daí quando se está cubando o movimento se observa o que está em cima, embaixo, do lado direito, do lado esquerdo, de tudo que é canto. Não deixa passar nada! É uma observação de fazer inveja aos “grampos” utilizados pela Polícia Federal, de tão profunda que é!

Neologismo
Marcus Gadelha, no Dicionário de Cearês diz que cubar é observar um lugar com a intenção de roubar. Nesse mesmo sentido, o professor Tomé Cabral no seu Dicionário de Termos e Expressões Populares, averba: cubar é medir o adversário, calculando a possibilidade de êxito, em caso de agressão. Diz ainda o renomado professor que cubar é um neologismo proveniente do Sul, já bastante difundido no Nordeste, no meio dos malandros e desordeiros.

O meu contexto
Não precisa muito esforço para o leitor perceber que o contexto da minha vivência com relação a cubar está literalmente inserido no contexto curiosidade.

E pra terminar…
Costumo dizer em meus cursos e palestras: CURIOSnãotemIDADE e
“Um remédio para o tédio é a curiosidade e não existe remédio para a curiosidade.” Assim, curiando, aprendi a esquartejar as palavras; penetrar em suas vísceras para extrair o néctar semântico e `genomar´ seus infindos significados que dormem, como diz o poeta Valdemir Mourão, como criancinhas risonhas a contemplarem os anjos sem notarem o perigo que se aproxima.

Fogo na roupa 02

Arquivado em: estrutura do discurso, etimologia, oratória — japs52 @ 4:00 pm

 Uso: curso oratória, estrutura do discurso, etimologia

Airton Soares

Não pense o leitor, que vou falar sobre o sensualismo da jovem que aparece na foto com essa arma no cós de sua calcinha.
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Aliás, nem precisa dizer nada. A imagem por si só já acorda em nosso juízo tudo que há de paradisíaco e profano.
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Podemos até dizer com muita segurança que essa menina do jeito que está armada é “fogo na roupa” Pois bem, se não pretendo falar sobre as minudências dos deleites carnais, então qual será a proposta da crônica?
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Mais desafio do que proposta, será discorrer sobre a etimologia da palavra belicismo – título do post do fotoblog Escrúpulos Precários de onde trouxe para cá essa “belicosidade”- sem me deixar influenciar tanto pelo texto imagístico-sedutor. Mas, como dizia o escritor Henry James: “Nem tudo que se enfrenta, pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que se enfrente.” Vamos lá!

Belicismo é a doutrina que defende a guerra ou o armamentismo. Pessoa de espírito guerreiro, belicoso. Assim, “Bellum” em latim deu arma, guerra na língua portuguesa.

“AS”, se bélico diz respeito à guerra, armamento, como explicar esta notícia que li no jornal na qual aparece a palavra debelar? “A Infraero informa que o princípio de incêndio no Terminal II do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, já está debelado, depois da atuação de unidades do Corpo de Bombeiros…”

Dúvida pertinente. Acontece o seguinte: no sentido denotativo, de +belar ( não à guerra; cessar a guerra) é vencer em luta armada: derrotar. No contexto acima, debelar aparece metaforicamente, ou seja, no sentido conotativo significando a extinção de algo considerado maléfico, no caso o incêndio.

No duro, no duro não deixou de ser uma guerra, pois os bombeiros se “armaram” para combater o “inimigo” fogo. Chega de guerra! “Desarmemos” mentalmente essa jovem – se é que você já não o fez – pois como diz mestre Drummond: é função tácita da roupa preparar o instante de nudez.

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